RIO - ERA SO PRA "BOTAR PRA CORRER"?
Saúde

RIO - ERA SO PRA "BOTAR PRA CORRER"?


Violência no Rio - Para onde irão os bandidos?

ERA SÓ PRA "BOTAR PRA CORRER"?

Por Marise Jalowitzki
28.novembro.2010 – 21h

Era só pra "botar pra correr"? Este foi o termo usado pela apresentadora em programa televisivo. "Botar pra correr". Surpreende o termo porque o assunto é grave, envolve um problema social de alta periculosidade. Envolve o viver de mais de 500 favelas no RJ! Um problema de quase 40 anos!

Talvez nós, os brasileiros, sejamos mesmo dessas pessoas crédulas que “precisam” acreditar nas pessoas, no que elas dizem e prometem. Mas, por que essa sensação de dúvida, de haver subterfúgios nas estratégias adotadas pelos governos, fica “dançando” nas mentes das pessoas, como se a ação necessária tivesse de ser outra?!

Pessoas festejam, pois anseiam pela paz. Outras, céticas, esperam, inteligentemente, que o transcorrer dos dias mostre a realidade.

Sim, pois os fatos mostram-se ilógicos, até para os mais leigos. Ou, então, as UPPs serão, apenas, mesmo, uma “ocupação”? Mostra-se o poder bélico, dá-se uma impressão de “estar disposto a”...mas, ação efetiva, que é a prisão dos traficantes, fica condicionada ao tempo!

Assim, “ocupar as favelas” não era prender bandidos!... (Até agora, tem-se notícia de que houve 15 prisões; estimam-se 500 a 600 traficantes conhecidos)... Era ocupar o espaço físico. Mostrar a força ofensiva. Desmantelar esconderijos. Apreender armas e drogas.

Parece que o plano era:
1º.  Avisar (a população e aos bandidos): Olha, estamos chegando!”

2º. Entrar na área (Cruzeiro), mostrar a força da intervenção, deixar passar um tempo - tempo suficiente para os bandidos fugir.

3º. Depois, alertar toda a mídia internacional, exibir fotos de nosso Bope (iguais aos do filme de sucesso Tropa de Elite I e II). Equipamentos, tanques, uniformes, rostos compenetrados.

4º. Deixar passar mais um tempo, deixar passar mais uma noite, à espera da entrega dos bandidos. Mas isso, também, proporciona um tempo precioso para que possam fugir, acobertados pela escuridão, sem serem vistos pela população. Falou-se, inicialmente, em túneis estratégicos, cavados pelos traficantes há tempos, para usar em situações de emergência. Elementar (isso os jesuítas já ensinaram aos guaranis, há séculos, por ocasião da construção dos "Sete Povos das Missões" e visava uma defesa contra os ataques espanhóis)!

5º. E, na manhã do domingo, hastear as bandeiras do Brasil e do RJ (antes, por engano, foi hasteada a da polícia no lugar da bandeira do RJ)."O Complexo é nosso”...!

“Até a Globo” perguntava nos noticiários:
“- Não era previsível que os criminosos iriam fugir?” – referindo-se à fuga em massa, acompanhada pelo helicóptero, da favela Cruzeiro para o Complexo do Alemão -. Respondia o comandante: “Nós vamos prendê-los, estejam onde estiverem!” Mas, por que os deixaram fugir, antes?

Se o plano era iniciar por liberar o espaço, ok. Ainda assim, é cedo para comemorar.
Ficamos todos na expectativa do que virá a seguir.
Sim, pois essa ação deverá apenas anteceder várias outras, de inserção e acompanhamento social.
Tudo soou bem estranho, desde o início das operações, na segunda-feira passada. Como, para uma ação, que se pretende de tamanho porte, apenas contar com as forças do estado? Só depois veio a Marinha...

E, sinceramente, transferir os “chefões” para presídios e outros estados tem algum efeito em plena era da informática? Qual a diferença de um líder do narcotráfico comandar as ações por um celular ou pela web de dentro de um presídio de Paraná ou do Nordeste:  Ou será que era “problemas de linha”?... Ou é uma ação temporária para distanciar dos próprios policiais corruptos que facilitam a vida dos presos? E, dos quais, a alta cúpula tem conhecimento?

Como disse um amigo, ontem à noite: “Não alimente idéias grandiosas de grandes mudanças no atual quadro. Eles não vão querer que os criminosos, uma vez presos, abram a sua boca e falem. Isto envolveria muita gente até agora ´intocável´! “

Crime organizado é isso! E já que todos sabem que, além dos traficantes, há também pessoas envolvidas de dentro da própria polícia e dos meios políticos, prender apenas um dos lados iria se mostrar bastante frágil.

COMO EU QUERIA QUE ALGUEM VIESSE E PROVASSE QUE ESTAMOS ENGANADOS EM NOSSA PERCEPÇÃO DOS FATOS E NÃO QUE FOMOS ENGANADOS DE FATO! De novo!

Lembro do José Antonio Daudt, aqui de Porto Alegre, correndo com as mãos apertando o peito baleado, em frente à sua casa, gritando: “Olha o que fizeram comigo!” – instantes antes de cair já morto, pelo tiro certeiro. Era a década de 80. Ele havia anunciado que, na semana próxima, iria denunciar, em plena reunião da Assembléia Legislativa, onde era deputado, o nome dos políticos “da casa” que estavam envolvidos com o narcotráfico. Foi morto antes de denunciar. Como motivo do assassinato, primeiramente, foi anunciado um possível envolvimento “pois ele era gay”; depois, as investigações “avançaram” e “provou-se” que havia sido crime encomendado “por ciúmes” pois ele havia  transado com esposa de outro. Pronto! O “crime foi desvendado” e não se falou mais nisso.

Boa semana a todos!
No momento em que a humanidade quiser, realmente, fazer diferente e erradicar certas chagas que maculam o viver sensato, hão de surgir ações efetivas. E não apenas blá-blá-blá. História verdadeira e não, apenas, "oficial".

Até lá, Viva o Carnaval! Todos se fantasiando de reis e rainhas, vivendo a ilusão do país-do-faz-de-conta!

Marise Jalowitzki
Escritora e consultora
http://www.compromissoconsciente.blgspot.com/
Porto Alegre - RS - Brasil


-------------------------
Links relacionados:
- Violência no Rio - O Anel do Papa e as Ações Sociais - ONGs http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-o-anel-do-papa-e-as.html 

- Violência no Rio - Chacinar não é solução!
http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/violencia-no-rio-chacinar-nao-e-solucao.html


- O que fazer com os bandidos? - super população carcerária http://compromissoconsciente.blogspot.com/2010/11/o-que-fazer-com-os-bandidos-trafico.html
 ----------------------



loading...

- Rio - "the Day After" - Sensação De Vitória Ou Impotência?
  Rio - "The Day After" - Sensação de vitória ou impotência? Por Marise Jalowitzki, Ricardo Vichinsky, Heitor Herculano e Rodrigo Meller Fernandes 30 de novembro de 2010 No episódio da ocupação das favelas do Rio, escancaram-se algumas...

- Rio - Cidadãos Do Complexo Do Alemão, Saiam Saí! Será Descrédito?
Rio - Cidadãos do Complexo do Alemão, saiam saí! Por Marise Jalowitzki 27.novembro.2010 - 21h15min Cidadãos, saiam daí!  Poucos foram os moradores que saíram de suas casas, mas estão todos estão sentindo que será...

- Violência No Rio - O Anel Do Papa E As Ações Sociais - Ongs
Violência no Rio - O anel do papa e as Ações Sociais - Ongs Marise Jalowitzki Bope nas ruas. Tanques blindados, rostos tensos. Jovens pretos e magros correndo desabaladamente. São os que são conhecidos internacionalmente como a marginália, como...

- Violência No Rio: Chacinar Não é Solução!
Violência no Rio: Chacinar não é solução!Marise Jalowitzki Já são 33 os mortos desde  o início da onda de violências no Rio de Janeiro, onde o BOPE tenta reprimir a ação dos traficantes que dominam as favelas há décadas. Resolveu-se,...

- O Que Fazer Com Os Bandidos? Tráfico, Polícia E Super População Carcerária
O QUE FAZER COM OS BANDIDOS? Tráfico, polícia e super população carceráriaMarise Jalowitzki Estamos vivendo mais um período de horror no Rio de Janeiro. Cenas de violência, morte, insegurança e medo. Brasil, sede da Copa do Mundo. O que temos...



Saúde








.